Edson Modesto concorda com a amiga de curso e encara as aulas como terapia. Ele lembra que quando não fazia parte do grupo, passava os dias assistindo televisão ou brincando na casa do vizinho, o que não era muito frutífero. Realidade completamente diferente da atual, já que passa a maior parte do tempo da semana no Cras. “Minha mãe até fala brincando para eu mudar para cá de vez, porque fico mais aqui do que em casa”, comenta sorrindo.
Esses depoimentos emocionaram tanto a professora de artes, Sílvia Cristina Farias, como a responsável pelo Cras, Giovana Cardoso, que entende o grupo como uma grande família em que um precisa do outro para sobreviver.
Com lágrimas nos olhos, a professora Sílvia comentou que não existem palavras para definir a satisfação em realizar o trabalho, sendo que a relação entre professor e aluno ultrapassa os moldes convencionais de ensino. “Não os considero mais como meus alunos, e sim como meus fiéis escudeiros. Eles são minhas pernas, meus braços, enfim, somos parceiros, companheiros”, declara.
A emoção também toma conta de Giovana que enfatiza as inúmeras conversas realizadas entre o grupo focando sempre nos sentimentos dos envolvidos e na importância destes para a sociedade. “Eles são maravilhosos, esforçados, bondosos”, define.
Os cursos
O espaço oferece aulas de pintura em tela, de pintura em madeira, de lembrancinhas para festas e de reciclagem, no qual garrafas e embalagens recicláveis, retalhos de tecido e jornal, entre outros materiais, são utilizados e transformados em arte. Arte está que mexe ativamente com a sensibilidade do grupo.
Além dos resultados terapêuticos obtidos com os cursos, os materiais produzidos pelos alunos são vendidos em feiras de artesanato e exposições resultando em geração de renda a estas pessoas que não estão inseridas no mercado de trabalho.
É importante evidenciar que são nesses eventos que os alunos, ou melhor, os artesãos, notam a valorização de suas obras. “Para mim é como se fosse uma vitória. Como se eu fosse reconhecido pelas coisas que a professora ensina”, defende Modesto. Lourdes concorda com o companheiro de oficio e declara: “É um orgulho muito grande. Não conseguia fazer nada e fico muito feliz vendo que o que produzo é vendido e admirado”.
Essas sensações retomaram o direito de sonhar de todo o grupo. Lourdes sonha em montar um ateliê e trabalhar com a professora Sílvia, podendo ajudar ainda mais as pessoas que querem aprender. Já a novata Maria de Fátima pretende dar continuidade ao curso e se tornar uma voluntária, ministrando aulas de tricô. Esse desejo é o de muitos alunos e por isso o grupo já institui o Dia do Professor. Nessa data a professora virará aluna e os alunos professores, estimulando ainda mais a troca de experiências.
Visando intensificar a venda das obras de arte, o grupo já se organiza para montar uma cooperativa que será voltada para a venda dos produtos. Palestras sobre empreendedorismo já foram ministrados, e outras ainda o serão, sendo que a documentação da cooperativa será providenciada no final deste ano. A expectativa é que no ano que vem todos possam vislumbrar novos horizontes, instituindo, definitivamente, o ofício adquirido: de artesão, remunerado.





